Saúdo pois todos os que o admiraram ou à sua obra e que, de qualquer forma venham a ter acesso a esta mensagem.
Passado o 15º aniversário do desaparecimento de Aires de Almeida Santos, sinto, uma vez mais ao longo dos anos, alguma distância votada a esse poeta/escritor de raro percurso militante, flho de Angola do mais puro sentimento idealista, humanista e democrático.
Algo triste por esse vácuo ingrato, vagueei a minha escrita por alguns dos seus versos, qual rapsódia de rimas inspiradas no melhor que ele criou.
Após tantos anos, parafrasear, numa homenagem de saudade, o discurso poético coloquial e afirmativo de Aires de Almeida Santos, foi muito reconfortante para mim como fiha.
Modesto tributo à memória de quem tão generosamente deu tudo por um sonho!
___________________________________________________________
Alma do Poeta
O Poeta partiu...
No barro das ruas,
Pisados por toda a gente,
Ficaram sonhos velhos, secos, amarelados,
A estalar sob os pés de quem passou.
Depois, o vento os levou...
Sem regresso do Poeta é a viagem
Sem regresso é o sonho eterno
Rosa de Liberdade
Amor antigo, miragem!
"O barro já está tinto de tanto, tanto sangue
Há tanto tempo a correr"
Quando a minha Mãe vier... Saudade...
"Deixa chorar meus olhos
Deixa comigo
O peso do sonho tão antigo"
O Poeta chorou... o sonho pesou!
O sonho atirado aos "longes do mundo"
O Poeta chamado aos longes da morte.
No barro das ruas,
Pisados por toda a gente,
Ficaram sonhos secos, amarelados,
Quiçá desprezados,
A estalar sentidamente...
No barro das ruas secas, amareladas,
tão sofridamente amadas,
"Entre estrelas rutilantes, risos gritantes", sonhos no ar,
Vive
"Quem ousa negar"?
Eternamente a Alma do Poeta!
Sara Lídia de Almeida Santos Marques da Silva
Amora/Seixal 2008