Poeta e Escritor
13/02/1922 - 03/09/1992
Alguém disse sobre ele "amou a vida como poeta e compreendeu os homens como poucos".
A acrescentar, cito David Mestre no fantástico prefácio do livro de poemas "Meu Amor da Rua 11", numa análise de carácter profundamente verdadeira: "o poeta tem a cabeça encanecida e os sapatos cobertos de poeira. Sapatos de andarilho, humílimos servidores de quem percorreu a vida pelos caminhos do coração"!
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Aires de Almeida Santos, um dos poetas angolanos que na década de cinquenta cantou a clandestinidade, foi o maestro em "Meu Amor da Rua 11" de uma das mais belas formas de fazer Poesia.
Da juventude de "Quem tem o Canhé", "Colar de Missangas", "A Mulemba Secou" à feliz e transparente mensagem de "Quando os meus irmãos voltarem" (Arderá uma fogueira à beira de cada trilho e o brilho de cada estrela será ainda maior, Mãezinha, ouve o teu filho, não tardes mãe vem depressa..) ou "Quem?" (Quem ousa negar o verde dos muxitos, os longes das anharas, o ritmo das canções que os rios cantam a cair de rocha em rocha, o silêncio verdadeiro dos desertos amarelos?), o poeta canta numa linguagem de afectos muito própria onde a força inspiradora da palavra voa como um sonho...livre! Livre de ódios e ressentimentos, bela, apaziguadora e generosa!
"À minha filha", poema dedicatória de "Meu Amor da Rua 11", escrito em 1966 na Cadeia Comarcã de Luanda, é também a expressão disso mesmo. Por achar que é pouco divulgado apesar de publicado, quero destacar nesta página essas rimas únicas de tão terna inspiração, pese embora toda a beleza das restantes obras.
Para ti, querida
Rosas e mel
E estrelas rutilantes,
Risos gritantes,
Muita ternura e carinho
E o Sol
Brilhando muito
Em frente ao teu caminho.
Deixa comigo o fel,
A dor, o desespero
Deixa que eu fira a pele
Nos ásperos abrolhos
Da vida.
Deixa chorar meus olhos
Deixa comigo
O peso do sonho tão antigo.
Para ti, querida
Paz, amor, ternura
Estrelas rutilantes,
Rosas e Mel...
A.A.S.
14/01/1966
Amora /Seixal Março 2008
Sara Lidia de Almeida Santos Marques da Silva